GO4

FOGO E INVASORAS

Candidatura PDR2020-101-030919

PARCERIA:

INSTITUTO POLITÉCNICO DE COIMBRA

VUMBA-EXPLORACÃO FLORESTAL AGRO-PECUÁRIA E TURISMO S.A.

ASSOCIAÇÃO FLORESTAL DO PINHAL

ASSOCIAÇÃO FLORESTAL DO BAIXO VOUGA

SILVOKOALA – SILVICULTURA E EXPLORAÇÃO FLORESTAL UNIPESSOAL, LDA.

GREENCLON, LDA.

SFERA ULTIMATE, LD.

INVESTIGADOR RESPONSÁVEL IPC:

JOAQUIM MANUEL SANDE SILVA (ESAC)

FINANCIAMENTO:

Investimento Global Elegível:  €

Comparticipação Comunitária: 75%

Comparticipação Nacional: 25%

Investimento Elegível IPC: 342.260,35 €

DESCRIÇÃO SUMÁRIA:

A háquea-picante e a mimosa são espécies lenhosas invasoras que regeneram após o fogo, produzindo grandes acumulações de biomassa combustível e causando impactes ambientais negativos. No entanto o fogo pode ser uma ferramenta eficaz no controlo destas espécies, se usado de forma tecnicamente adequada. O Grupo Operacional Fogo e Invasoras destina-se a produzir um manual de boas práticas para uso do fogo em áreas invadidas e em risco de invasão por estas espécies. Para tal será montado um conjunto de parcelas experimentais e de demonstração (projeto piloto) em áreas invadidas, tratadas com diferentes combinações de corte e queima, e acompanhadas durante 3 anos. Os resultados permitirão: reduzir o risco de invasão, reduzir o risco de incêndio e gerir a biomassa produzida, de forma económica e ecologicamente adequadas. O projeto será realizado por um consórcio baseado na região Centro constituído por 4 empresas, 2 associações florestais e uma instituição de ensino/investigação (IPC) que lidera.

O fogo controlado é uma técnica de gestão da vegetação, internacionalmente reconhecida pelas suas vantagens económicas e ecológicas. É utilizada por exemplo na gestão de habitats, na gestão silvopastoril e na gestão de combustíveis. Em Portugal, para além do costume milenar de queimar mato para fins silvopastoris, a utilização técnica do fogo tem sido feita sobretudo na gestão de combustíveis, em ações destinadas à prevenção de incêndios. Este tipo de operações tem adquirido uma importância crescente devido à dificuldade em resolver o grave problema de incêndios florestais que continua a existir em Portugal, o qual se prevê venha a agravar-se no futuro devido às alterações climáticas.

No entanto, o uso inadvertido do fogo apresenta riscos em áreas com plantas de espécies exóticas invasoras, por poder facilitar a expansão destas espécies. O fogo atua sobre os bancos de sementes, estimulando a deiscência ou a germinação, facilitando o recrutamento de novas plântulas. Como exemplos mais expressivos temos a háquea-picante (Hakea sericea Schrad.) e a mimosa (Acacia dealbata Link.), cuja expansão em Portugal está muito associada ao atual regime de fogo. Ambas as espécies têm vindo a aumentar a sua área de ocorrência em Portugal, criando problemas quer ao nível da conservação da biodiversidade quer ao nível do aumento do risco de incêndio. Por exemplo a área de povoamentos de acácia duplicou entre 1995 e 2005 (ICNF, 2013).

No entanto, o fogo controlado pode ser uma oportunidade em vez de um problema, se for planeado para o controlo da vegetação invasora. Para isso é necessário aplicar o fogo de acordo com prescrições precisas ao nível das condições de queima, tal como é feito para outros tipos de combustível. Tal só é possível se existir um conhecimento detalhado sobre a relação entre as características do fogo e o seu efeito nas espécies que pretendemos controlar.

O uso do fogo para o controlo de vegetação invasora faz-se noutros países mas para espécies e condições climáticas distintas daquelas que existem em Portugal. No nosso país não existe ainda conhecimento suficiente que permita o uso do fogo para as nossas condições. A presente iniciativa pretende contribuir para alterar esta situação, através da criação e transferência de conhecimento sobre as relações entre o fogo e as duas espécies (háquea-picante e mimosa), dada a sua importância em Portugal. Pretende-se assim resolver o problema associado ao uso inadvertido do fogo em áreas colonizadas por estas espécies, e explorar a oportunidade que o uso do fogo representa para o seu controlo. Pretende-se igualmente contribuir para diminuir o risco de incêndio através do aperfeiçoamento da gestão de combustíveis através do fogo controlado. O tema enquadra-se no Domínio Temático 2.4: Prevenção e minimização do risco de incêndio, integrado na 2.ª Prioridade: Melhoria da gestão dos sistemas agrícolas e florestais. O setor é o da Biomassa Florestal já que se trata de gerir a produção de biomassa lenhosa quer numa perspectiva de prevenção de incêndios, quer numa perspectiva de aproveitamento do material lenhoso. O Plano de Ação consiste numa série de combinações de corte e queima, de modo a estudar qual o melhor resultado não só em termos do controlo da vegetação invasora mas também do ponto de vista da gestão da biomassa que produz.

Trata-se assim de um projeto experimental que se destina a aferir a eficácia da introdução de alterações que consubstanciam novas melhorias técnicas em processos e práticas, neste caso ao nível da gestão de combustíveis e ao nível da gestão da vegetação invasora. Dadas as suas características inovadoras, por desenvolver e permitir a demonstração de uma nova técnica de controlo da vegetação invasora a ser difundida pelos agentes que lidam com este tipo de problema, a presente iniciativa enquadra-se na definição de projeto-piloto de acordo com a alínea g) do art.º 3º da Portaria 402/2015 e cumprindo o objetivo descrito na alínea b) do art. 2º do mesmo diploma. A presente iniciativa enquadra-se igualmente na Agenda de Investigação do Centro de Competências para o Pinheiro-Bravo do qual a ESAC (unidade orgânica para as ciências agrárias do Instituto Politécnico de Coimbra) é um dos parceiros (ver documento anexo à candidatura). A ocorrência de mimosa e de háquea-picante é frequente em áreas de pinhal, pelo que o Grupo Operacional Fogo e Invasoras pretende com a presente iniciativa contribuir para o eixo de investigação 2. Minimização de riscos/perigos. Este eixo de investigação inclui nos seus objetivos: a atualização dos modelos de perigo (cartas de risco) de incêndio à escala regional e a recuperação de áreas ardidas (frequentemente alvo de invasão após o fogo). Ambos os objetivos são parte integrante da presente proposta pelo que a mesma representa assim também uma oportunidade para o desenvolvimento de actividades inseridas na Agenda de Investigação deste Centro de Competências, através da possibilidade de selecção de algumas áreas de pinhal invadido a serem integradas no desenho experimental.

 

 

 

 

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